segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O Principado

Horas profundas,
Horas harmoniosas e caladas,
Cheias de beijos quentes,
E de abraços ardentes.

Sou o principe dum principado,
Onde só existe o nú prado.

Deito-me sobre a cama
E acendo a minha chama.
A chama que me deixa ver o luar,
Para que assim possa sonhar.

Sou o principe dum principado,
Onde só existe o nú prado.

Sonho assim,
Sonho sem fim.
Sonho com lábios sobre o lago,
Anseio pelos meus braços dando-te afagos.

Sou o principe dum principado,
Onde só existe o nú prado.

Até que seja pó e o pó nada,
Cá vou observando a alvorada,
Na ventura do amar,E quiçá me encontrar.

Sou o principe dum principado,
Onde só existe o nú prado


"cousa perdida" algures em 2005

domingo, 14 de dezembro de 2008

Órfeu

Tanta máscara que estou a ver,
Tantas pessoas que deixam de ser,
Apenas para satisfazer,
Por causa de um parecer,
Que possam fazer.

Tanto ódio, quando podia simplesmente haver amor,
Deixando de lado a dor,
Que é de ter de finjir por causa do superior.
Tanta falsidade por causa
De uma medíocre sociedade,
Que não permite que a verdade,
Venha ao que é ideal.

Tanta guerra,
Tanto ódio,
Tanta discriminação
Por causa da razão,
Que teima em abafar o coração.

Ah, ambígua e ilusória liberdade,
Defendida pela democracia,
Que tem como base a hipocrisia.
Tanta gente maltratada,
Que simplesmente se vê abafada.
Tanta gente mutilada,
Quando simplesmente queria ver-se amada.

Impregnam sanções,
Aos que tem corações,
E chamam de repugnantes,
Aos que tem comportamentos desviantes.

Mas quem somos nós para julgar,
Quando está em causa o amar,
E consequentemente o partilhar?

Quem somos nós perante Minos?
Quem somos nós para julgar?
Sabes que mais? Estou-me a cagar,
Para o que possas julgar!

"cousa perdida" algures em 2005

Doce e singela Deusa Venusiana,
Que Vos chamais *****.
Adorada donzela,
Que navega à vela,
Por este mar esquartejante.


Sois singela por Natureza,
E estais entre as mais belas.
Sois cobiçada por todos,
Mas todos não vos conseguem.


Eu já sonhara em possuir-vos,
Vénus terrestre, Vénus celeste.
Já eu próprio sonhara com Vós,
E idealizara o que vira do agreste.
Mas sonhos mais não trago,
Óh bela e singela.


Óh bela...Sonhos? Ideologias?
Não passam de fantasias,
De meras utopias,
Criadas pelos Homens,
Que na sua eterna simpatia,
Buscam o que é inatingível.


Para quê possibilitar o sonho impossível?
Para quê amar infinitamente,
O que é perdível?
Não me toqueis doce e bela,
Pois em Vós não acreditarei.
Não me tragais sonhos,
Pois esses não mais acreditarei.

Todavia, continuo olhando para Vós,
Doce e bela deusa guerreira.
Sonhando os sonhos que sonhara outrora,
Para os queimar junto da feitiçeira.
Que nada Átropos nos tire?
Que vale nossos esforços perante Minos?
Não passemos de meros germinios,
Deste imenso vale de exterminio.

"cousa perdida" algures em 2005