quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Ensaio sobre a lucidez

De repente todos ficamos lúcidos! A realidade é nua, crua e fria e sabemos plenamente que é contrária à nossa vontade, mas que ao mesmo tempo em formas nuas, cruas e frias, essa mesma realidade nua, crua e fria é verdadeira, logo existe.

É inteligência ou simplesmente “foda-se!(???)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

... hoje dei por mim a rezar!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Transpiro

Mente perdida em deambulações utópicas e ideologias pagãs. Eros como sombra perfurando muralhas de Jericó, transpondo seu veneno em minha corrente.
Transpiro. Transpiro (in)coerências (ir)racionais carregadas de emoções latentes que preenchem espaços indizíveis no ínterior da consciência, onde toda a emoção carrega em sí certas tímidez e receios de baloiçar em palavras sentidas.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Levemente um sorriso cristalino caí sobre o ser com contornos autênticos e singelos...

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A melhor maneira de lidar com os outros é tomá-los por aquilo que eles acham que são e deixá-los em paz

António Lobo Antunes

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

"Cuidar de mim"

Os tempos correm num deambular desapegado da realidade num cocktail de realidades ilusórias transpostas em linhas contidas com palavras ambiguas, vazias e opacas sem sons sem que tenha certeza das mensagens que carregam.
Fantasmas que isolam o cerne da questão, evitando a lucidez, contagiam-me dos mais balofos pensamentos, ditos bonitos. E o tempo passa sem que as imagens se desfaçam e o corpo vaguea nú nas ruas da cidade procurando pelo bocado perdido em tempos, negando as evidências que o pensamento transmite ao corpo.
Taquicardia que se apodera, singelidades transpostas em palavras, palavras essas que até a mim próprio custam a crer na sua autenticidade pela perspectiva transposta em outros. Já quiz a fusão e a troca de energias, a tal ponto que quando vi as muralhas de Jericó tinham ruído ao som das trompetes que ecoavam no peito, e no final, quando ao acordar vejo a cidade despida de sua forteleza vejo que ela não é mais a mesma, tentando em última instancia atingir um segundo óptimo de Pareto.

sábado, 3 de outubro de 2009

More than ever

Linhas contínuas que continuamente talhava em pontos e vírgulas desconectados de mim, num deambular fugitivo de sombras escorregadias, que de noita caiam sobre a mente abraçando-me e sufocando-me.
Batalhas fugidas e outras travadas em busca de equilíbrios de longo prazo sem recorrer a estabilizadores automáticos, transpostos em preces amedrontadas.
O virar da página e o desconhecido.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

História (in)terminável

Interjeições balofas que bombardearam a mente transformando o que de calmo havia em algo turbulento. Pressões atmosféricas dum cosmo passado balanceavam entre o íntimo e o exterior impedindo as acções levadas a cabo se formassem em bolhas d’água cristalina. Foi o caos submerso em mim transposto em linhas difusas provocando mutações irreconciliáveis.
Por um momento perdi-me nas interjeições e nos receios de um passado longínquo que por vezes ainda me morde e que me sufoca tendo-o transposto para um presente que tão bem vinha sabendo. O tempo apressado, que amarrara e puxara partira-se com tamanha pressão. O caos! O medo! A vergonha! A auto mutilação por uma tomada consciente de tudo o que compunha. O virar da página, num ponto de inflexão de rendimentos marginais decrescentes.
O perdão! A capacidade de regeneração do tempo nas acções e na avaliação dos seres tornaram-se únicos aliados numa batalha com contornos difusos tendo em pano de fundo possíveis movimentos de Pareto que não mais dependem de mim. Uma vez mais, o medo e a tomada consciência naquilo que de correcto deve ser e dos possíveis benefícios subsequentes. O que de telúrico existe pairou na mente em forma de prece para a obtenção de um desejo que delimita toda a função dos passos.
Para cima, para baixo, pontos altos e pontos baixos.
Para a frente, para trás, acelerações e divagações.
Acontecimentos estocásticos escreverão as próximas páginas de uma história enigmática que me auto satisfaz com uma sinceridade latente que já não conhecia.

Relax, breath deeply

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Palavras

Palavras que deslizam em frases que sabem a música, que me deixam sementes de desejo nos recondidos da minha consciência, com aquele toque de eloquência que nos conquista na estética do bem falar.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Subtilmente ...

... os olhos resguardam-se no chão perante o som das palavras que ecoam na minha cabeça.

domingo, 23 de agosto de 2009

Sete chaves

Adormecido.
Estados latentes epicuristas que se vinham manifestando estoicamente, sem que me preocupasse, com contornos de tranquilidade onde o espaço e o tempo se perdiam no dia-a-dia até ao presente. A sete chaves fechado em mim mesmo ao som daquele reggea que me tranquiliza deambulo por entre vales e montes, num centro geodésico, na companhia dos mais próximos. Sem contacto com o exterior, refugiei-me na balofa corrente parada em que mergulhava num acto egoísta. Era apenas eu e eu que boiava ali tendo como pano de fundo um sol de trinta e tal graus! Contudo, em pequenos fragmentos sonhava querendo partilhar aquilo que era só meu contrariando todas as teses; afinal não tinha desaparecido aquilo que repudiava. Afinal cada pequena partícula que me compunha apenas se encontrava adormecida num estoicismo consciente sem que permitisse quaisquer incómodos. Turbilhões de imagens, analogias, metáforas e analepses corroiem a tranquilidade. A caixa de Pandora abriu-se e perdi as sete chaves que tão bem tinha guardado.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Le mon était c'est moi!

Acontecimentos aleatórios, improváveis e imprevisíveis que se tornam úteis.
Apegos irrefletidos, constatações irrisórias que suprimem vontades latentes.
Patentes registadas, royalties recusadas, contratos de promessa!
Cousas externas que fundem as internas, ultrapassando linhas ténues que circundam o ser.
Análises de custo-benefício irregulares e ambíguas, fundadas em análises de risco desventuradas.
Em suma: constatação de ineficiências estruturais.


Pour entrer il faut travailler!

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Deixo a sala. O peito contrai ao ver a sua decadência. Não quero gravar momentos como estes na memória, pois é mais fácil recordar os tempos em que corria atrás de mim.
É estranho. Desde o momento em que da sua memória o meu nome foi apagado pelas circunstâncias que não vertia uma lágrima e a cada fim de semana que passa, ao constatar a decadência de todas as suas funções motoras, refúgio-me num estoicismo balofo que apenas me contrai.
São factos, são cursos; é o terminar de uma vida.
São factos!
Todavia, também são factos a tristeza que é latente na sua face, tristeza essa que me quebra com uma sensação de impotência, onde a consciência martiriza as acções e pensamentos que são sugeridos em vão.
E com um "também gosto muito de si" moribundo retiro-me. É demais para mim tanta decadência impotente e cada dia que passa esta impotência pesa mais, onde o trabalho me fortifica e o prazer me desgasta.

terça-feira, 3 de março de 2009

Espelhos meus, não nossos.

Dizes que sou frio: que esta incapacidade de demonstrar emoções apenas me prejudica e que acabo eu próprio por afastar as pessoas por manter essa linha a qual não autorizo passar.
Dizes que sou confuso: que o balançar entre posições em busca de um equilibrio leva ao simétrico das minhas pretensões; pedes-me que escolha um lado.
Dizes que sou arrogante: que a superioridade com que abordo certos assuntos torna-se patente em acções de terceiros; pedes-me moderação.
Dizes que sou diferente: que a minha virtude reside nessa diferença que me torna especial; mas estou diferente, dizes tu.
Em suma: i'm a bastard (?!)

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Segundo Óptimo de Pareto

Uma vaga de racionalismo fundada em custos e benefícios provocaram uma abdicação (temporária) de um objectivo emocional. O querer infundado, desprovido de qualquer lógica arregaçavá-me um sorriso e uma vontade estonteante de atravessar o oceano. Contudo, a cada batimento cardíaco não conseguia deixar de ponderar para além do risco, os custos e benefícios e respectivas expectativas. Resultado: abdiquei.
O sentimento de pena latente, que instala a nostalgia é ignorado; não importa, não interessa, e é (tem de ser) anulado por um elemento neutro. Quanto a esse assunto: sustine et abstine.
Contudo, e porque sempre existirão contrapartidas, essas, as ditas possíveis e outras oportunidades, serão agarradas; pois o nada, esse nada, com esse nada não consigo estar. O caminho é feito andando com sonhos e utopias, com arrogância, e acima de tudo com determinação em busca do óptimo.
Quando bater, nesse momento não me resta senão levantar-me.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Notas (in)sentidas

Jantámos.
Firmamente te abri a porta deixando-te passar. Com um sorriso dizes boa noite ao empregado que nos acompanha a nossa mesa. Tu sentas-te, eu sento-me. Cruzando as pernas e te debruçando ligeiramente na mesa perguntas-me como estou, deixando-me prever pelo timbre da tua voz onde iríamos terminar.
As notas saíam do piano impondo o ritmo da nossa conversa; de forma fluida, como sempre, te vou contando as últimas aventuras, novidades e projectos. Dizes que estou a ir pelo caminho certo (estarei mesmo?) e apoias-me em cada tomada de decisão. Agradeço e dou-te a mão!
Observo-te.
Com um chardonnay na mesa olho para as tuas pernas enquanto te diriges à casa de banho. O teu caminhar certo e preciso, como se tivesse uma fórmula matemática precisa, o tom da tua pele, como se tivesse sido banhado no leito dos deuses, os teus longos e suaves cabelos macios, que tanto gosto de cheirar; deixam em extâse todo os poros do meu corpo. Retornas com esse sorriso, como se soubesses o que tinha pensado segundos antes.
Coro, solto uma gargalhada e olho-te.
Passeamos.
O rio à nossa direita se encontrava, o mar a um palmo de distância.
Tinhas frio e tirei o casaco. Minutos que pareceram horas enquanto falávamos; cada pequeno susurro ao ouvido arrepiava-me provocando-me um instante desejo de te agarrar naquele momento. A Lua encontrava-se semi-cheia, intensa e focada em nós tendo como pano de fundo o cais deixando tudo perfeito.
Tua ou minha?
Tua, a minha encontra-se ocupada e desarrumada; não te quiz lá levar.
Após termos chegado, quando entrámos, olhei em redor e pensei quão já tinha feito tempo desde que não entrava naquela casa. Perdi a força; fui bombardeado por recordações que não queria recordar até me teres pedido para me sentar, enquanto ligávas a aparelhagem carregando no play.
Ah, o momento chill out até ao momento em que te acariciava os cabelos.
Beijaste-me, mesmo após o que tinhamos falado, e disseste-me para não pensar em mais nada. De forma subtil, mas objectiva, recordaste-nos as premissas e quiseste retornar no tempo. Sorriste outra vez mordendo o lábio tranquilamente. Não resisti agora em beijar-te. Beijei-te como se fosse a última vez, perdida e descontroladamente, percorremos cada centímetro do teu corpo como se não houvesse mais vez até o dia nascer.
Acordei contigo nos meus braços, mais frágil, com um sorriso inocente como não vira na noite anterior. Estavas confiante, segura de ti como se soubesses cada passo que dar; e ali na mais pura das tuas formas, via-te insegura, agarrando-me como se acreditasses que poderíamos dar o próximo passo, mesmo sabendo que não o daremos.
Acordei, vesti-me e preparei-te o pequeno almoço equilibrado e sereno que tanto aprecias.
Era dia 14.



cousa perdida algures no espaço e no tempo

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Hoje o caos, amanhã a ordem

Se pudesse num segmento de recta compactar toda a informação que percorre as minhas veias tudo seria pacífico, tudo seria objectivo. Mas falta-me coragem e forma de tomar corpo a tal assunto, correndo o risco de poder despi-lo da inocência com que o carrego. O caos instala-se, a tranquilidade mantém-se sabendo que é apenas uma pequena turbulência, uma pequena tempestade. A ordem, essa aparecerá certamente, assim como as respostas surgirão no momento certo.

é só deixar o menino jogar.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Rosas

Rosas vermelhas do prado,
Quanto sois belas,
Quanto sois do meu agrado.

Colhera-vos outrora,
Ainda quando o dia não era nascido,
Nessa altura antes de ter morrido.
Salteava entre Vós alegre e contente,
Deitava-me em vosso regaço
E ai ficava um pedaço.

Rosas vermelhas do prado,
Quanto sois belas,
Quanto sois do meu agrado.

Vejo-vos, mas não vos toco,
Por mais que a dor
Me cause um ardor,
Não vos toco, não vos coloco...

Mas ainda sinto os vossos espinhos,
Tocando no meu ser,
Deixando me sem saber
Qual o sabor de pertencer.

Rosas vermelhas do prado,
Quanto sois belas,
Quanto sois do meu agrado.

Rosas vermelhas do prado,
Quanto sois belas,
Quanto sois do meu agrado...

"cousa perdida algures em 2005"

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Virgens desmaiadas, deambulando por entre o negrume da podridão citadina.
Homens vistosos, aparentemente correctos,
Que violam crianças,
Que as masturbam violentamente,
Que lhes roubam o que de mais singelo possuem.

Putas menstruadas em dor,
Que se encontram na escura viela,
Procurando o prazer,
Procurando satisfezer,
E arranjar que comer.

Cidade aparentemente bela e majestosa,
Onde reina o correcto.
Onde impregnam valores e juízos,
Pois querem controlar já que se vem incapazes de amar.
Rogam agoiros a desvios,
Cortam raízes a sonhos,
E põem os jovens de molho.

Feliz aquele que crianças viola,
Que faz o que correcto é.
Felizes aqueles que dão de comer,sem se esqueçer de se satisfazer.
Infelizes aqueles que neste paradoxal,em que o que é moral
não é real,
vivem a arte do gemer.


"cousa perdida" algures em 2005