Dizes que sou frio: que esta incapacidade de demonstrar emoções apenas me prejudica e que acabo eu próprio por afastar as pessoas por manter essa linha a qual não autorizo passar.
Dizes que sou confuso: que o balançar entre posições em busca de um equilibrio leva ao simétrico das minhas pretensões; pedes-me que escolha um lado.
Dizes que sou arrogante: que a superioridade com que abordo certos assuntos torna-se patente em acções de terceiros; pedes-me moderação.
Dizes que sou diferente: que a minha virtude reside nessa diferença que me torna especial; mas estou diferente, dizes tu.
Em suma: i'm a bastard (?!)
terça-feira, 3 de março de 2009
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Segundo Óptimo de Pareto
Uma vaga de racionalismo fundada em custos e benefícios provocaram uma abdicação (temporária) de um objectivo emocional. O querer infundado, desprovido de qualquer lógica arregaçavá-me um sorriso e uma vontade estonteante de atravessar o oceano. Contudo, a cada batimento cardíaco não conseguia deixar de ponderar para além do risco, os custos e benefícios e respectivas expectativas. Resultado: abdiquei.
O sentimento de pena latente, que instala a nostalgia é ignorado; não importa, não interessa, e é (tem de ser) anulado por um elemento neutro. Quanto a esse assunto: sustine et abstine.
Contudo, e porque sempre existirão contrapartidas, essas, as ditas possíveis e outras oportunidades, serão agarradas; pois o nada, esse nada, com esse nada não consigo estar. O caminho é feito andando com sonhos e utopias, com arrogância, e acima de tudo com determinação em busca do óptimo.
Quando bater, nesse momento não me resta senão levantar-me.
O sentimento de pena latente, que instala a nostalgia é ignorado; não importa, não interessa, e é (tem de ser) anulado por um elemento neutro. Quanto a esse assunto: sustine et abstine.
Contudo, e porque sempre existirão contrapartidas, essas, as ditas possíveis e outras oportunidades, serão agarradas; pois o nada, esse nada, com esse nada não consigo estar. O caminho é feito andando com sonhos e utopias, com arrogância, e acima de tudo com determinação em busca do óptimo.
Quando bater, nesse momento não me resta senão levantar-me.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Notas (in)sentidas
Jantámos.
Firmamente te abri a porta deixando-te passar. Com um sorriso dizes boa noite ao empregado que nos acompanha a nossa mesa. Tu sentas-te, eu sento-me. Cruzando as pernas e te debruçando ligeiramente na mesa perguntas-me como estou, deixando-me prever pelo timbre da tua voz onde iríamos terminar.
As notas saíam do piano impondo o ritmo da nossa conversa; de forma fluida, como sempre, te vou contando as últimas aventuras, novidades e projectos. Dizes que estou a ir pelo caminho certo (estarei mesmo?) e apoias-me em cada tomada de decisão. Agradeço e dou-te a mão!
Observo-te.
Com um chardonnay na mesa olho para as tuas pernas enquanto te diriges à casa de banho. O teu caminhar certo e preciso, como se tivesse uma fórmula matemática precisa, o tom da tua pele, como se tivesse sido banhado no leito dos deuses, os teus longos e suaves cabelos macios, que tanto gosto de cheirar; deixam em extâse todo os poros do meu corpo. Retornas com esse sorriso, como se soubesses o que tinha pensado segundos antes.
Coro, solto uma gargalhada e olho-te.
Passeamos.
O rio à nossa direita se encontrava, o mar a um palmo de distância.
Tinhas frio e tirei o casaco. Minutos que pareceram horas enquanto falávamos; cada pequeno susurro ao ouvido arrepiava-me provocando-me um instante desejo de te agarrar naquele momento. A Lua encontrava-se semi-cheia, intensa e focada em nós tendo como pano de fundo o cais deixando tudo perfeito.
Tua ou minha?
Tua, a minha encontra-se ocupada e desarrumada; não te quiz lá levar.
Após termos chegado, quando entrámos, olhei em redor e pensei quão já tinha feito tempo desde que não entrava naquela casa. Perdi a força; fui bombardeado por recordações que não queria recordar até me teres pedido para me sentar, enquanto ligávas a aparelhagem carregando no play.
Ah, o momento chill out até ao momento em que te acariciava os cabelos.
Beijaste-me, mesmo após o que tinhamos falado, e disseste-me para não pensar em mais nada. De forma subtil, mas objectiva, recordaste-nos as premissas e quiseste retornar no tempo. Sorriste outra vez mordendo o lábio tranquilamente. Não resisti agora em beijar-te. Beijei-te como se fosse a última vez, perdida e descontroladamente, percorremos cada centímetro do teu corpo como se não houvesse mais vez até o dia nascer.
Acordei contigo nos meus braços, mais frágil, com um sorriso inocente como não vira na noite anterior. Estavas confiante, segura de ti como se soubesses cada passo que dar; e ali na mais pura das tuas formas, via-te insegura, agarrando-me como se acreditasses que poderíamos dar o próximo passo, mesmo sabendo que não o daremos.
Acordei, vesti-me e preparei-te o pequeno almoço equilibrado e sereno que tanto aprecias.
Era dia 14.
Firmamente te abri a porta deixando-te passar. Com um sorriso dizes boa noite ao empregado que nos acompanha a nossa mesa. Tu sentas-te, eu sento-me. Cruzando as pernas e te debruçando ligeiramente na mesa perguntas-me como estou, deixando-me prever pelo timbre da tua voz onde iríamos terminar.
As notas saíam do piano impondo o ritmo da nossa conversa; de forma fluida, como sempre, te vou contando as últimas aventuras, novidades e projectos. Dizes que estou a ir pelo caminho certo (estarei mesmo?) e apoias-me em cada tomada de decisão. Agradeço e dou-te a mão!
Observo-te.
Com um chardonnay na mesa olho para as tuas pernas enquanto te diriges à casa de banho. O teu caminhar certo e preciso, como se tivesse uma fórmula matemática precisa, o tom da tua pele, como se tivesse sido banhado no leito dos deuses, os teus longos e suaves cabelos macios, que tanto gosto de cheirar; deixam em extâse todo os poros do meu corpo. Retornas com esse sorriso, como se soubesses o que tinha pensado segundos antes.
Coro, solto uma gargalhada e olho-te.
Passeamos.
O rio à nossa direita se encontrava, o mar a um palmo de distância.
Tinhas frio e tirei o casaco. Minutos que pareceram horas enquanto falávamos; cada pequeno susurro ao ouvido arrepiava-me provocando-me um instante desejo de te agarrar naquele momento. A Lua encontrava-se semi-cheia, intensa e focada em nós tendo como pano de fundo o cais deixando tudo perfeito.
Tua ou minha?
Tua, a minha encontra-se ocupada e desarrumada; não te quiz lá levar.
Após termos chegado, quando entrámos, olhei em redor e pensei quão já tinha feito tempo desde que não entrava naquela casa. Perdi a força; fui bombardeado por recordações que não queria recordar até me teres pedido para me sentar, enquanto ligávas a aparelhagem carregando no play.
Ah, o momento chill out até ao momento em que te acariciava os cabelos.
Beijaste-me, mesmo após o que tinhamos falado, e disseste-me para não pensar em mais nada. De forma subtil, mas objectiva, recordaste-nos as premissas e quiseste retornar no tempo. Sorriste outra vez mordendo o lábio tranquilamente. Não resisti agora em beijar-te. Beijei-te como se fosse a última vez, perdida e descontroladamente, percorremos cada centímetro do teu corpo como se não houvesse mais vez até o dia nascer.
Acordei contigo nos meus braços, mais frágil, com um sorriso inocente como não vira na noite anterior. Estavas confiante, segura de ti como se soubesses cada passo que dar; e ali na mais pura das tuas formas, via-te insegura, agarrando-me como se acreditasses que poderíamos dar o próximo passo, mesmo sabendo que não o daremos.
Acordei, vesti-me e preparei-te o pequeno almoço equilibrado e sereno que tanto aprecias.
Era dia 14.
cousa perdida algures no espaço e no tempo
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Hoje o caos, amanhã a ordem
Se pudesse num segmento de recta compactar toda a informação que percorre as minhas veias tudo seria pacífico, tudo seria objectivo. Mas falta-me coragem e forma de tomar corpo a tal assunto, correndo o risco de poder despi-lo da inocência com que o carrego. O caos instala-se, a tranquilidade mantém-se sabendo que é apenas uma pequena turbulência, uma pequena tempestade. A ordem, essa aparecerá certamente, assim como as respostas surgirão no momento certo.
é só deixar o menino jogar.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Rosas
Rosas vermelhas do prado,
Quanto sois belas,
Quanto sois do meu agrado.
Colhera-vos outrora,
Ainda quando o dia não era nascido,
Nessa altura antes de ter morrido.
Salteava entre Vós alegre e contente,
Deitava-me em vosso regaço
E ai ficava um pedaço.
Rosas vermelhas do prado,
Quanto sois belas,
Quanto sois do meu agrado.
Vejo-vos, mas não vos toco,
Por mais que a dor
Me cause um ardor,
Não vos toco, não vos coloco...
Mas ainda sinto os vossos espinhos,
Tocando no meu ser,
Deixando me sem saber
Qual o sabor de pertencer.
Rosas vermelhas do prado,
Quanto sois belas,
Quanto sois do meu agrado.
Rosas vermelhas do prado,
Quanto sois belas,
Quanto sois do meu agrado...
"cousa perdida algures em 2005"
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Virgens desmaiadas, deambulando por entre o negrume da podridão citadina.
Homens vistosos, aparentemente correctos,
Que violam crianças,
Que as masturbam violentamente,
Que lhes roubam o que de mais singelo possuem.
Putas menstruadas em dor,
Que se encontram na escura viela,
Procurando o prazer,
Procurando satisfezer,
E arranjar que comer.
Cidade aparentemente bela e majestosa,
Onde reina o correcto.
Onde impregnam valores e juízos,
Pois querem controlar já que se vem incapazes de amar.
Rogam agoiros a desvios,
Cortam raízes a sonhos,
E põem os jovens de molho.
Feliz aquele que crianças viola,
Que faz o que correcto é.
Felizes aqueles que dão de comer,sem se esqueçer de se satisfazer.
Infelizes aqueles que neste paradoxal,em que o que é moral
não é real,
vivem a arte do gemer.
Homens vistosos, aparentemente correctos,
Que violam crianças,
Que as masturbam violentamente,
Que lhes roubam o que de mais singelo possuem.
Putas menstruadas em dor,
Que se encontram na escura viela,
Procurando o prazer,
Procurando satisfezer,
E arranjar que comer.
Cidade aparentemente bela e majestosa,
Onde reina o correcto.
Onde impregnam valores e juízos,
Pois querem controlar já que se vem incapazes de amar.
Rogam agoiros a desvios,
Cortam raízes a sonhos,
E põem os jovens de molho.
Feliz aquele que crianças viola,
Que faz o que correcto é.
Felizes aqueles que dão de comer,sem se esqueçer de se satisfazer.
Infelizes aqueles que neste paradoxal,em que o que é moral
não é real,
vivem a arte do gemer.
"cousa perdida" algures em 2005
segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
O Principado
Horas profundas,
Horas harmoniosas e caladas,
Cheias de beijos quentes,
E de abraços ardentes.
Sou o principe dum principado,
Onde só existe o nú prado.
Deito-me sobre a cama
E acendo a minha chama.
A chama que me deixa ver o luar,
Para que assim possa sonhar.
Sou o principe dum principado,
Onde só existe o nú prado.
Sonho assim,
Sonho sem fim.
Sonho com lábios sobre o lago,
Anseio pelos meus braços dando-te afagos.
Sou o principe dum principado,
Onde só existe o nú prado.
Até que seja pó e o pó nada,
Cá vou observando a alvorada,
Na ventura do amar,E quiçá me encontrar.
Sou o principe dum principado,
Onde só existe o nú prado
Horas harmoniosas e caladas,
Cheias de beijos quentes,
E de abraços ardentes.
Sou o principe dum principado,
Onde só existe o nú prado.
Deito-me sobre a cama
E acendo a minha chama.
A chama que me deixa ver o luar,
Para que assim possa sonhar.
Sou o principe dum principado,
Onde só existe o nú prado.
Sonho assim,
Sonho sem fim.
Sonho com lábios sobre o lago,
Anseio pelos meus braços dando-te afagos.
Sou o principe dum principado,
Onde só existe o nú prado.
Até que seja pó e o pó nada,
Cá vou observando a alvorada,
Na ventura do amar,E quiçá me encontrar.
Sou o principe dum principado,
Onde só existe o nú prado
"cousa perdida" algures em 2005
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